Olá, gente boa,

Muitas vezes não sou muito bem interpretado quando faço a defesa da cultura.

Alguns acham que é “piti de artista”, vontade de aparecer. Outros se incomodam por não compreenderem o caminho que a cultura local precisa seguir e acreditam que os modelos a serem copiados são sempre os artistas midiáticos, distantes da nossa realidade. Há ainda quem simplesmente me ache chato, grosso ou arrogante.

Talvez eu seja tudo isso mesmo.

Mas fiz uma escolha.

Escolhi a cultura. Escolhi a arte.

E aos meus 65 anos de vida, com mais de 45 anos de estrada, vivendo, produzindo, compondo, criando família e construindo caminhos a partir da arte, devo a ela tudo o que sou e tudo o que conquistei.

Já me fizeram essa pergunta algumas vezes:

E você fez sucesso?

Claro que fiz.

Passei décadas cantando, compondo, produzindo, vivendo do meu trabalho. Criei minhas filhas, sustentei minha casa, dei o melhor que pude — tudo isso com a arte. Continuo até hoje na labuta que escolhi, reconhecido não só em Sergipe, mas em muitas partes do Brasil. Se ainda estou aqui, é porque fiz sucesso.

Porque sucesso, para mim, nunca foi fama vazia.

Sucesso é conseguir viver com dignidade daquilo que se escolheu para a própria vida.

É por isso que, quando critico, reclamo ou brigo, nunca é por vaidade pessoal.
É sempre pela cultura.

Por mais cultura.

Por mais respeito.

Por mais dignidade para artistas e fazedores.

E também para que esses fazedores possam se qualificar, compreender melhor o campo que escolheram. Costumo dizer — e digo com convicção — que a arte não escolhe ninguém; somos nós que escolhemos a arte.

 Mas, ao mesmo tempo, reconheço talentos, qualidade, boas intenções, trabalho sério e pensamentos comprometidos com a manutenção e, principalmente, com o crescimento da nossa cultura.

Lembro bem de uma reunião, muitos anos atrás, na Galeria J. Inácio, na Biblioteca Pública Epifânio Dórea. Estávamos ali vários artistas — alguns que infelizmente já estão em outro plano: Leonardo Alencar, José Fernandes, Pithyu, Melcíades, J. Inácio, Feliz Mendes, Eraldo Lima, Judite Melo, entre tantos outros.

Naquela época, ainda nos anos 1990, discutíamos um sonho comum: a criação da Pinacoteca do Estado. Um sonho que não era apenas nosso, mas de gerações inteiras de artistas sergipanos.

Hoje, em 2026, esse sonho começa a se materializar. O governador Fábio Mitidieri assina a ordem de serviço que viabiliza definitivamente a Pinacoteca de Sergipe — um gesto que contempla os que ainda estão entre nós e honra aqueles que já se foram, mas deixaram uma contribuição extraordinária para a construção da nossa identidade cultural.

Minha felicidade é ainda maior porque a assinatura das obras da Pinacoteca vem acompanhada do lançamento oficial do Viva-SE. Pela primeira vez na história de Sergipe — e ouso dizer, como política estruturante, também no Brasil — um programa é concebido para transformar a cultura em protagonista do desenvolvimento econômico e social de um Estado.

Isso não é retórica. É visão de futuro.

É compreender que a cultura gera sustentabilidade, pertencimento e renda. Que cada R$ 1,00 investido nela retorna múltiplas vezes para a comunidade. Que a cultura não é gasto, é investimento estratégico. Uma indústria limpa, sem fumaça, sem agressão ao meio ambiente. Uma força que educa, acolhe, molda, inspira e traduz o melhor do ser humano — algo tão necessário em tempos de tanta pressa, intolerância e dureza.

A Pinacoteca de Sergipe nasce em um prédio histórico renovado, com estrutura de primeiro mundo, para guardar, preservar e apresentar o legado dos nossos artistas. Obras e trajetórias de nomes como Álvaro Santos, Horácio Hora, J. Inácio, Jenner Augusto, Eurico Luiz, Joubert Moraes, Ismael Pereira, Elias Santos, Nil Cavalcante, Edidelson, Lucas Lemos, Gil Apolinário, Gladston Barroso, Adauto Machado, Titiliano, Caã, Fábio Sampaio, Zeus, Donato, Joel Dantas, Jo’k, Hortência Barreto, Willi, Germana, Mariana, Fake, Jonner — entre tantos outros artistas de enorme qualidade que brotam das terras do meu Sergipinho.

Por tudo isso, deixo aqui meu agradecimento — em meu nome e em nome de todos os artistas que viveram, criaram e continuam embelezando a vida com ideias, formas e cores — ao governador Fábio Mitidieri, pela criação da Pinacoteca, pelo lançamento do Viva-SE e, sobretudo, pelo olhar atento às nossas realidades culturais e pela decisão política de valorizar a identidade sergipana.

Dizem que ele é o governador que mais fez pela cultura em Sergipe.
Acredito, firmemente, que, se ainda não é, será.

Porque cultura não é adereço.

É base.

É identidade.

É futuro.