Olá, gente boa!

 

Tempos atrás, ouvi, na voz do meu amigo e parceiro Rubens Lisboa — grande artista e uma inspiração constante —, a canção “Neném” de Vander Lee. Sou fã de Vander Lee e nunca encontrei uma composição dele que não me tocasse de alguma forma. Rubens e eu temos inúmeras parcerias, músicas que adoro cantar e tocar, como “Tu És”, “Uma Furada” e “Canção do Bem Querer”, todas no meu álbum Som da História. Fora essas, há tantas outras, como “Bacamartada”, “Acalanto de Verão” e “Festa”, que nasceram de uma amizade de décadas, construída em respeito e cumplicidade.

 

Conheci Vander Lee em 2010, graças a outro amigo de longa data, Lula Ribeiro, que o trouxe para o Encontro Cultural de Laranjeiras em seu projeto “Lula Convida”. Naquele dia, quando Vander Lee subiu ao palco ao lado de Lula, fiquei imediatamente encantado com o talento do cantor e compositor mineiro. Desde então, venho acompanhando a carreira dele com admiração. Entre as suas muitas canções que me marcaram, destaco “Onde Deus Possa me Ouvir”, “Românticos”, “Meu Jardim” e, claro, “Neném”, onde ele canta:

“Preciso de alguém

Não me bate porque sou neném

Não me trate com desdém

Eu sou cheio de nhem-nhem-nhem

Nhem-nhem-nhem…”

E foi ao ouvir esses versos que percebi algo sobre mim mesmo: sou mesmo assim, cheio de “nhem-nhem-nhem”, e sempre preciso de alguém ao meu lado.

 

Outra letra de Vander Lee que me emociona profundamente reflete esses tempos que estamos vivendo:

“Sabe o que eu queria agora, meu bem?

Sair, chegar lá fora e encontrar alguém

Que não me dissesse nada

Não me perguntasse nada também

Que me oferecesse um colo, um ombro

Onde eu desaguasse todo desengano…

Mas a vida anda louca,

As pessoas andam tristes,

Meus amigos são amigos de ninguém…”

 

Essas palavras me trouxeram um sentimento de melancolia e uma busca por paz. Um desejo de reencontrar almas que me oferecessem conforto sem julgamentos, apenas presença. Isso me lembrou uma canção de Milton Nascimento e Fernando Brant que também ressoa comigo:

“Tem gente que chega pra ficar

Tem gente que vai pra nunca mais

Tem gente que vem e quer voltar

Tem gente que vai e quer ficar

Tem gente que veio só olhar

Tem gente a sorrir e a chorar

E assim chegar e partir.”

 

E assim sigo vivendo e cantando, fiel ao que acredito ser correto, apaixonado pelo talento e pela criatividade, e comprometido com a cultura e a arte, que tanto significam para mim. Apesar das idas e vindas, das saudades e das despedidas, continuo acreditando nas minhas escolhas, guiado pelo meu olhar e ouvido, sempre aberto para a música e para as amizades que, mesmo à distância, seguem presentes em meu coração.