Olá, gente boa
Tem coisas na vida que são realmente bonitas — como reencontrar rostos conhecidos de um passado não tão distante, mas que o tempo e a vida trataram de afastar. Rostos que, mesmo sem intimidade ou amizade profunda, a gente sempre observou de longe: pelo trabalho, pela determinação, pelas estranhezas criativas e, sobretudo, pelo talento.
Sempre acreditei que o sucesso não é um lugar de glamour, mas de dignidade. Sucesso, para mim, é conseguir viver bem daquilo que você escolheu para sua vida — seja profissionalmente, socialmente, economicamente ou de alma. E quem escolhe a arte como caminho sabe que isso exige coragem, persistência e entrega.
Um desses reencontros, depois de mais de dez anos sem cruzar por aqui, foi com Bruno Montalvão, filho de um grande amigo, o jornalista, publicitário e advogado José Carlos Montalvão. Conheci Bruno ainda nos anos 1990, quando ele começou a realizar e produzir artistas nacionais emergentes, promovendo concertos de nomes como Racionais MC’s, Planet Hemp e Mundo Livre S.A. Desde cedo esteve envolvido com o show business, fundou a Marginal Produções e iniciou um trabalho consistente de produção e assessoramento de eventos e artistas locais.
Carlos Bruno Montalvão, sergipano da gema, é desses meninos que nasceram para voar. Desde cedo mostrou suas asas ao mundo — um mundo muitas vezes cruel, especialmente em uma cidade que, anos atrás, pouco permitia que alguém se destacasse ou ousasse ser diferente. Quem fugia das regras impostas pela mediocridade corria o risco de ser excluído ou soterrado vivo na lama, junto com os caranguejos.
Ainda adolescente, aos 13 anos, Bruno já frequentava os sets de gravação dos comerciais produzidos pela agência do pai. Fazia de tudo um pouco, queria aprender, mostrar serviço, garantir uma mesada melhor para comprar discos e ir a shows. Aos poucos, foi se especializando em decupagem de comerciais e cenas, arquivo de imagens, tráfego (RTVC). Logo começou a produzir e dirigir comerciais — foram mais de 100, alguns premiados — além de documentários e campanhas. No início dos anos 2000, provou sua capacidade no audiovisual ao vencer o Curta-se com o filme “Vômito Negro”.
Paralelamente à publicidade, nunca deixou de produzir shows e eventos culturais. Em 1998, criou o primeiro Festival de Rock de Sergipe, o ROCK-SE, com cobertura nacional da MTV, TV Cultura, Folha de S.Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, Revista Rock Press, entre outros. O festival aconteceu durante dois dias na área externa do Estádio Batistão e reuniu mais de 18 atrações, como O Rappa, Marcelo D2, Pin Ups, Eddie, Hanagorik, Mechanics, Squaws, 2 Sapos e Meio e Snooze. Foi, sem dúvida, o primeiro e mais importante festival de música e cultura alternativa do estado.
Bruno seguiu buscando seu caminho e logo apareceu produzindo a banda Reação, que entre 1998 e 2003 estourou com “Sinal de Alerta”. O refrão — “Azul e vermelho piscando, pode ser sinal de perigo” — ecoava pelos quatro cantos de Sergipe e ganhava o Brasil, aproximando Bruno de artistas como Marcelo D2, Falcão e Marcelo Yuka. Ali surgia sua primeira grande experiência com projeção nacional.
Como todo pássaro inquieto, Bruno sabia que precisava voar mais alto. Por aqui, continuaria à margem, disputando espaço com a hipocrisia e a falta de visão. Em 2003, mudou-se para São Paulo e passou a transformar a Marginal Produções em uma empresa com cérebro e visão de mundo. Vieram os trabalhos com Devotos (Recife), Sérgio Cassiano (ex-Mestre Ambrósio), Detetives, Astronautas, entre outros.
Instalado na rua Oscar Thompson, na divisa entre os bairros da Barra Funda e Santa Cecília, o menino e suas asas ganharam o mundo. Só com os Devotos, foram mais de 25 shows em cinco meses, circulando por capitais e interiores do país. Participou de cinco edições do RockGol (MTV) e, em 2006, criou e produziu a turnê que deu origem ao programa “MTV Banda Antes na Estrada”, revelando nomes como Vanguart, Zefirina Bomba, Ecos Falsos, Rock Rocket, Faichecleres e Daniel Belleza & Os Corações em Fúria.
De 2006 a 2014, foi produtor executivo da banda Vanguart, com quem lançou três discos e um DVD, além de conquistar um VMB, prêmio importante da MTV Brasil.
Em 2010, transformou sua produtora na Brain (Cérebro) Productions Booking, especializada em booking e tour management nacional e internacional, projetos culturais, festivais e assessoria artística para artistas independentes. A partir daí, ganhou o mundo, realizando sua primeira turnê internacional e trazendo ao Brasil artistas como Jonathan Richman e bandas da Argentina.
Bruno é desses produtores que cuidam do artista nos mínimos detalhes: figurino, contratos, repertório, performances, corpo e alma. É inquieto, detalhista, estudioso, apaixonado pelo que faz — e isso se reflete em cada projeto.
Nos últimos anos, criou o selo Before Sunrise Records, tornou-se curador e apresentador do programa IndieAmérica, na Mutante Rádio, e colunista em veículos como Music Non Stop e Hits Perdidos. Soma mais de 28 anos de atuação na indústria musical, com experiências em eventos como SXSW nos Estados Unidos (onde realizou mais de 70 shows), SIM São Paulo, festivais internacionais e curadorias em diversos países da Europa, Américas e África. Além de realizar turnês internacionais para artistas como The Baggios (BR), Fin del Mundo (AR), Atalhos (BR), BIKE (BR), Bijoux Cone (USA), Mengers (MX), entre dezenas de outros artistas nacionais e internacionais com quem trabalha ou já trabalhou. E trabalhar com artistas renomados mundialmente como Mac DeMarco (CA), Sebadoh (USA), Anderson Paak (USA), Allah-Las (USA), El Mató A Un Policía Motorizado (AR), e muito mais.
Também passou a ministrar cursos e conferências sobre Booking Internacional no Brasil e no exterior, compartilhando conhecimento, abrindo caminhos e formando novos profissionais.
Bruno fez, produziu, construiu pontes, memórias e relações. Colocou seu talento sergipano a serviço do mercado musical do Brasil e do mundo. E agora, decide voltar à origem — à sua terra — com um sonho ainda maior: transformar Sergipe em um território gigante de Economia Criativa na música, com formação, qualificação, planejamento de carreira e modelos de negócio sustentáveis, capazes de atrair os olhos do mundo para o nosso Sergipinho.
Bruno Montalvão e a Brain Booking aportam em Sergipe não apenas como base ou refúgio, mas como ponto de partida para afirmar que podemos, somos capazes e temos talento. Bruno é um artista que escolheu produzir outros artistas — com olhar apaixonado, generoso e feliz.

