Olá gente boa,
As bandas de baile sempre foram um celeiro de grandes músicos e cantores. Durante as décadas de 70 e 80, essas bandas percorriam cidades e clubes, proporcionando alegria e celebrando a música sem preconceitos. Elas tocavam todos os sucessos nacionais e internacionais, e cada município geralmente tinha sua própria banda, muitas vezes mais de uma.
Em Lagarto, destacavam-se Los Guaranys e Sol Nascente; em Boquim, os Nômades; em Tobias Barreto, a Orquestra Cassino Royale; em Estância, Os Cometas e Orquestra Unidos em Ritmos; em Dores, Embalo D; e tantas outras, como Átomos de Propiá, Os Comanches, Los Tropicanos, Os Vickings, Brasa 10, The Tops, R-Som 7, Topkap’s, Gerusa e seus Big Loys, Orquestra do Maestro Medeiros, Banda Estação da Luz, entre outros grupos musicais importantes de Sergipe.
Essas bandas animavam bailes que duravam de quatro a cinco horas, abrangendo gêneros que iam de boleros a rock, passando por Jovem Guarda, baladas, sambas e muita música internacional. Dentre os artistas que surgiram dessas bandas e se destacaram em todo o Brasil, temos Djavan, que foi crooner da Banda LSD de Maceió, e nomes locais como Antônio Carlos du Aracaju, que iniciou sua trajetória nos Vikings e Embalo D, além de cantar Elvis Presley na Orquestra Medeiros.
Rogério, um grande estanciano, deixou sua marca na música sergipana, começando na Banda Unidos em Ritmo e posteriormente fundando sua própria banda, Voo Livre. Nos anos 80, iniciou sua carreira solo, alcançando o sucesso. Outro destaque é Roberto Alves, um dos maiores cantores de Sergipe, que começou nos Los Guaranis, criou a banda R-Som 7, passou por um acidente que o afastou dos palcos por um tempo, mas retornou em carreira solo, tornando-se o maior cantor romântico do estado.
Na Nômades orquestra de Boquim, o cantor Diógenes se destacou e se tornou um renomado seresteiro. Na banda Brasa 10, de Luiz Trindade, surgiram dois excelentes cantores, Edidelson Andrade, que fez carreira nacionalmente com o Trio Irakitan, e Lisboa, uma voz excepcional comparada aos maiores cantores do mundo. Infelizmente, Lisboa faleceu muito jovem em sua busca pelo sucesso nacional já em São Paulo. Edivilson, conhecido como Edy, brilhou em bandas de Ribeirópolis e região, destacando-se no Los Guaranis. Atualmente, é um dos cantores mais requisitados da noite aracajuana, cantando e tocando guitarra.
Músicos importantes que permanecem ativos até hoje, oriundos das bandas de baile, incluem Valtinho do Acordeon (teclado e sanfona), Carlinhos Menezes (teclados), Vigú (guitarra), Flor (baixo), Ademir Basu (bateria), Maestro Mosquito (multi-instrumentista), Zenóbio Alfano (pianista), Peta (teclado), Orlandinho Agilidade (cordas), Peninha (teclado), Marcos Mancada (percussão), Carlinhos (bateria), Gilson Batata e Ednor (Falecidos), Batista do Acordeon, Batista Jambê, Tata Di Tao, Fradinho, entre outros.
Dois cantores que merecem destaque são Adalvenon, um dos cantores com timbre de voz e segurança no canto impecáveis, e Valter Nogueira, com singeleza ao cantar e suavidade ao interpretar as canções, são dois grandes expoentes formados nos bailes da vida ambos provenientes das bandas de baile, especialmente Los Guaranis.
Adalvenon, conhecido como o ‘Bicho Papão do Arrocha’, transformou-se no maior sucesso popular do nosso estado, iniciou sua carreira no Los Guaranis, tornou-se popular nos anos 80, fundou a Banda Estação da Luz e, posteriormente, seguiu carreira solo, mantendo-se no sucesso com diversos discos gravados e apresentações por todo o país. Adalvenon pertence a uma família musical, sendo irmão dos saudosos Edidelson Andrade e Ednoaldo.
Valter Nogueira, natural de Simão Dias, começou sua carreira na banda do pai, Sol Nascente em Lagarto. Fez excursões por Alagoas nas bandas Cio da Terra e Los Guaranis, transferindo-se para Aracaju, onde se destacou na noite, em trios elétricos e no Carnaval, gravando canções em discos coletivos e trabalhando em estúdios. Atualmente, é uma figura indispensável em programações juninas.
Esses artistas são parte integrante da rica história e identidade musical de Sergipe. É importante reconhecer o legado que construíram com seus talentos e persistência, contribuindo para a cultura musical do estado. Como minha bisavó Noemi Brandão costumava dizer: ‘Você só fará sucesso hoje se conhecer o ontem, pois só assim construirá o amanhã’.
