Olá gente boa,

Cresci mergulhado em um universo de sons e versos, absorvendo influências de gigantes da música brasileira e internacional. De Bob Dylan a Simon & Garfunkel, passando por Ivan Lins, Roberto Carlos, Jorge Ben Jor, e os nordestinos Alcides Melo e Tonho Baixinho. Mas é impossível falar de luta e resistência sem mencionar Chico Buarque, o “terror” dos autoritários e símbolo de liberdade na música brasileira. Sua obra-prima “Apesar de Você” se tornou um hino contra a ditadura militar nos anos 70, enfrentando a censura e inspirando milhões a acreditar em um amanhã mais justo e poético.

O Brasil de hoje, assim como aquele do regime militar, se vê novamente às voltas com o autoritarismo e o negacionismo. Vozes que tentam deturpar a liberdade de expressão, um direito conquistado com sangue e suor, agora o utilizam para disseminar mentiras — desde a Terra plana até a ideia absurda de que corrupção e genocídio podem ser justificáveis. A cultura, que outrora foi arma poderosa para desmantelar a repressão, continua sendo o pilar central na defesa da democracia e da liberdade.

Como Chico cantou, “Você vai ter que ver a manhã renascer e esbanjar poesia.” E essa manhã só renasce com educação, arte e cultura. A história nos ensina que foram as canções, os livros, o teatro e o cinema que municiaram o povo contra a opressão. Foi a palavra transformada em arte que nos ajudou a resistir, a acreditar, a lutar.

Hoje, enfrentamos novos desafios: ataques ao conhecimento, negação da ciência e um fascismo que se veste de patriotismo enquanto ameaça a vida e a liberdade. Esses discursos de ódio, amplificados pelas redes sociais, tentam apagar nossa identidade, mas se esquecem que somos um país moldado pela diversidade e pela resistência cultural. Somos o Brasil do futebol, do Carnaval, dos festejos juninos e de tantas manifestações que fazem pulsar o coração de nossa nação.

É preciso lembrar, no entanto, que liberdade não é licença para destruir. Há quem se valha da democracia para ameaçar a democracia, invocando armas e golpes, como se ignorassem a tragédia que já vivemos nos anos de chumbo. Esses mesmos personagens, que evocam “liberdade de expressão” enquanto promovem violência e desinformação, não entendem o significado da palavra “liberdade”.

A cultura, porém, está atenta. Não é apenas uma ferramenta de expressão artística, mas um instrumento de transformação social. Ao valorizar nossa cultura, reafirmamos nossa identidade e fortalecemos o compromisso com uma sociedade mais igualitária e democrática. Acreditamos em um Brasil que não se rende nem ao fascismo, nem ao comunismo, mas se mantém fiel à sua essência: a de um povo que luta por justiça, liberdade e esperança.

Chico Buarque nos mostrou o caminho e nos deu a trilha sonora da resistência. Como ele bem disse, “Amanhã há de ser outro dia.” Um dia em que os valores democráticos triunfarão sobre o ódio e a desinformação, onde a poesia, a música e a arte continuarão a nos guiar. Porque, apesar de você, a cultura sempre será a luz que dissipa as trevas.

Que continuemos a cantar, criar e resistir. A democracia precisa da arte, e a arte, da democracia. Juntos, seremos sempre mais fortes.

Apesar de você.