Olá gente boa
Estamos nos despedindo de mais um ano, marcado por intolerância, guerras, genocídios e, sobretudo, por uma sombra obscura que cresce cada vez mais na sociedade e no ser humano. Povos iluminados a pilha, acreditando serem os únicos representantes de Deus, enquanto os demais são tidos como habitantes do escuro infernal. Tudo isso potencializado por dispositivos faladores que transformam qualquer indivíduo em especialista na vida alheia e em qualquer assunto, impondo sua verdade como a única salvação. O jornalismo sucumbindo às mentiras e à ganância pelo poder, todos ansiosos por criar e manter uma narrativa pagã adornada com religião e fé em si mesmos.
Na minha modesta filosofia, acredito que a boa música tem o poder de resgatar a humanidade. Paulo Freire afirmou que a música, no contexto escolar e na sociedade, pode ser transformadora e deve desempenhar um papel mais definido na educação. Infelizmente, como tantos outros ensinamentos desse mestre, essa visão não foi seguida, resultando em uma inundação de sons negativos aos quais as crianças têm acesso na escola e nas redes sociais, músicas que denigrem a vida.
Platão, em Atenas no século IV a.C., disse: “A música é um meio mais poderoso do que qualquer outro, porque o ritmo e a harmonia têm sua sede na alma (razão). Ela enriquece, confere graça e ilumina aquele que recebe uma verdadeira educação.” Se a informação é ruim, tende a mergulhar nas trevas, no mal, causando transtornos e transformando a sociedade em meros fantoches de um poder preocupado consigo mesmo, não com os outros.
Dessa forma, a música de um país precisa ser boa, capaz de fazer crianças, jovens e adultos refletirem e agirem na construção de caminhos. Aristóteles afirmou: “A música tem o poder de moldar a personalidade, e os diferentes gêneros de música podem ser distinguíveis pelos efeitos sobre o caráter. Um gênero pode determinar a melancolia, a moleza, encorajar o abandono; outro, o autodomínio e o entusiasmo.”
Atualmente, enfrentamos uma guerra na qual estamos perdendo nosso futuro. Crianças e jovens preferem estar isolados em seus quartos com amigos virtuais do que interagir com seus pares. Adultos, na correria da vida que escolheram, não percebem o crescimento de seus filhos, absorvidos pelo glamour das redes sociais e por enredos de terror ou fantasias onde todos são ricos e poderosos, baseados no ódio.
Essa música ruim alimenta e destrói a capacidade de pensar e reagir a tudo isso. Por isso, encerro o ano compartilhando nomes de compositores e músicas feitas em Sergipe de alta qualidade, que certamente não lhes trarão pensamentos ruins. Pelo contrário, inspirarão a abandonar a inércia e começar a raciocinar, a pensar em como ser produtivo, a criar dúvidas e buscar esclarecê-las com bom senso, contribuindo para um 2024 melhor e mais produtivo.
Começo destacando o álbum de um dos maiores cantores e compositores de Sergipe, Chico Queiroga. Seu disco “Cor de Laranja”, lançado em 1988, é uma pérola do cancioneiro sergipano, com faixas como “Transbrasileiro”, “A Mestiça”, “Noite Morena”, “Cor de Laranja”, “Desculpe o Modo”, “Rio Em Cores De Cinema”, “A Madrugada” e a icônica “Fim De Primavera”. O disco foi lançado em CD e está disponível em plataformas digitais.
O segundo destaque vai para o provocador LP “Viagem Cigana” do Grupo Cataluzes, cuja direção musical de Paulo Moura marcou um momento ímpar na discografia sergipana. O grupo, formado por Claudio Miguel, Valdefrê, Antônio e Zé Amaral, revolucionou os anos 80 com sons, letras e harmonias inovadoras. O disco, em formato de LP, contém faixas como “Maracujaba”, “Ilhas – Olhos”, “Cantata para os Plebeus”, “Dança dos Vivos”, “Um Direito que Assiste”, “Fardo de Léguas”, “Vida Cigana”, “Destino dos Retirantes”, “Festas da Xica” e “Cheiro da Terra”.
Além desses, destaco outros artistas e álbuns representativos da boa música sergipana, como Rogerio com “País do Forró”, Amorosa com “Coco da Cápsula” e “Viver Aracaju”, Roberto Alves com “Meus Traumas Meus Sonhos”, “Motorista de Táxi” e “Monte Carmelo”, Paulo Lobo com “Rocinha” e “Ruas de Ará”, Joésia Ramos com “Vadiar”, “Diacho de Mulher”, “Boi de Jadelina” e “Amor Roxo”. Não deixem de ouvir também as canções de Irmão e Tonho Baixinho, como “Rap do Cirurgia”, “Aracaju” e “Terras do Brasil”; Nery e suas músicas ciganas e canções belíssimas; Patrícia Polayne e seu “Quintal Moderno”, “O Circo Singular” e “Aparelho de Memoriar”, Rubens Lisboa com tantos discos e músicas como quebra Molas que ele canta com outra divina cantora Gena Ribeiro, preciosidades nos tempos atuais.
Meu playlist é extenso, repleto de canções de artistas sergipanos, abrangendo Nino Karvan, Alex Santana, Coutto Orquestra, João Ventura, Saulo Ferreira, Alberto Silveira, Antonio Carlos du Aracaju, Valter Nogueira, Mestrinho, A Lapada, Pedro Luan, Fernando Cratéus, Sandyalê, Tori, Lula Ribeiro, The Baggios, Héloa, Paulo Lobo, Jorge Duccy, Erivaldo de Carira, João da Passarada, Doca Furtado, João Melo, Pantera, Thiago Ribeiro, Ismar Barreto, Sergival, Sena, Mingo Santana, Jorge Maravilha, Raimunda Andrelina, Batista do Acordeon, Mary Barreto, Luiza Lú, Joseane de Josa, Fabio Lima, Silvio Rocha.
Nessa lista de talentosos artistas sergipanos, não posso deixar de mencionar outros nomes essenciais para a riqueza musical da região: Raquel Diniz, Maysa Reis, Lari Lima, Lina Sousa, Táia, Celda Fontes, Paulinho Araújo, Marilda, Raquel Delmondes, Nubia Faró, Fabio Ribeiro, Ivan Reis, Claudio Barreto, Casaca de Couro, Heitor Mendonça, Balança Eu, Luiz Fontinelli, Clemilda, Gerson Filho, Ricardo e Rebeca Vieira, entre tantos outros talentos que embelezam a cena musical sergipana. E ai me arrisco a indicar meu novo álbum “Neu Fontes – Som da História” que já está em todas as plataformas digitais.
A boa música é uma linguagem que fala diretamente aos sentimentos, liberando nosso íntimo e traduzindo em partituras a essência de cada pessoa. Na música, encontramos o romantismo, o amor, a solidão, a desilusão, os encontros e desencontros. A música é a arte de expressar os mais diversos sentimentos por meio do som. Por isso, tenha sempre ao seu lado uma boa música, com melodia envolvente, letras significativas e harmonias que tocam a alma.
No universo da vida, tudo tem seu lugar, mas a boa música conquista um espaço especial no coração de cada um. Que o ano de 2024 seja repleto de momentos embalados por músicas que elevem o espírito, proporcionando felicidade e paz. Que a trilha sonora da sua vida seja composta por melodias que inspirem, acalmem e tragam harmonia. Feliz 2024 com muita música boa!
