Olá, gente boa!

A vida é uma poesia — e depende de nós traçar seus caminhos e escrever os versos que a compõem. Seja através do lirismo, que expressa emoções e sentimentos e nos transforma em heróis do cotidiano; dos dramáticos, que revelam nossas dores e paixões; ou dos épicos, onde realizamos feitos históricos — sempre temos versos a escrever.

A poesia, como a vida, é complexa, contraditória e múltipla. Envolvemo-nos nas temáticas e nos estilos. Vamos do ambiente rural com a Écologa, às tristezas da Elegia; celebramos o amor com o Epitalâmio, os desejos com o Madrigal, onde os sons e os amores se expandem. A Ode é o momento de gratidão e admiração, e a Sátira nos permite rir de nós mesmos e do mundo com crítica e ironia.

Nossas vidas são feitas de poesia. Às vezes romântica, que idealiza o amor e foge da realidade, individualista e egocêntrica — e que teve em Tobias Barreto um de seus grandes mestres, ao lado de Hermes Fontes e Constantino Souza. Outras vezes, a vida se mostra dura, difícil de viver e ainda mais de entender, como a poesia regionalista, intimista, urbano-social, política, memorialista, experimentalista, metalinguística, concretista, neoconcretista, marginal… Ufa! Cansa.

Mas como a poesia, a vida é linda. Posso misturar tendências, estilos e estéticas. Posso ser eclético. Posso (e devo) ser engajado, social, urbano, erudito e popular, íntimo, regional ou marginal. Quem escreve os versos da minha existência sou eu.

E, embora o dom da poesia não tenha vindo diretamente dos meus pais, cresci cercado por ela. Em casa, tive muitos poetas: minha avó América Fontes; meus tios José Calazans e José da Silva Ribeiro Filho, pai de uma das maiores safras de poetas sergipanos — Wagner, Marcelo e José Ribeiro. E ainda a família Alencar, com Luiz Carlos, Clodoaldo e Hunald Alencar.

Eu, por minha vez, traço meus versos entre o lírico e o popular, muitas vezes beirando o marginal, mas sempre buscando o concreto, o real. Assim como a Pascoal, a cada ano me renovo. Meço meus passos, observo até onde minha visão alcança e reflito sobre o quanto ainda preciso caminhar. Tento construir, iluminar e enfeitar as caminhadas futuras com palavras e gestos.

Minha bisavó, a filósofa e poeta Noemi Brandão, dizia: “Meu neto, ande sempre pra frente, mas sem perder o olhar do que ficou pra trás.” Assim ensinei as minhas filhas e hoje aos netos. E é por isso que, sempre que posso, relembro tudo o que passou. Foram essas memórias que construíram o caminho por onde ando — e que vou aprimorando, verso a verso.

Não posso esquecer dos poetas, das personalidades, dos guerreiros e guerreiras que, com suas palavras e sentimentos, escreveram a poesia sergipana.

Mario Jorge, que conheci na infância, encabeça essa lista de mentes brilhantes. Ao seu lado, nomes como: Hermes Fontes, Hunald Alencar, Tobias Barreto, Felisbelo Freire, Gilberto Amado, Ilma Fontes, Amaral Cavalcante, Santo Souza, João Sapateiro, Jeová Santana, José Ronaldson, Jozailto Lima, Carlos Cauê, Araripe Coutinho, Maria Cristina Gama, Iara Vieira, João Firmino, Zizinha Guimarães, Fred Dantas, Jannayna Sousa, Jaci Farias, Carmelita Fontes, Gizelda Morais, Núbia Marques, Bittencourt Sampaio, Bonifácio Fortes, Marcelo Ribeiro, Wagner Ribeiro, José Ribeiro, Marcelo Déda, Carlos Britto, Lígia Pina, João Ribeiro, Jane Guimarães, Severo D’Acelino, Fernando Crateus, Sergival, Aglacy Mary, Maria Salete, Ezio Deda, Aylton Cardoso, Nairson Sacuarema, Maurício e Macaô, entre tantos outros que colaboram, todos os dias, para as transformações da nossa alma, da nossa cultura, da nossa terra.

E que, ao nos renovarmos, possamos criar novos olhares para a mesma estrada. Que novos estímulos nos levem a descobrir sentidos diferentes em caminhos já trilhados. E que, com coragem e poesia, alcancemos o tempo certo da próxima renovação.

Boa Pascoal!