Olá gente boa!

Esta semana, tenho recebido numerosas ligações e mensagens de artistas de diversos segmentos, expressando lamentos, críticas e reivindicações relacionadas ao resultado do edital Paulo Gustavo. Alguns chegam a cobrar uma posição minha sobre o assunto, dado meu longo período na gestão da cultura. Atualmente, faço parte do Conselho Estadual de Cultura do Estado, órgão consultor da instituição que gerencia a cultura e o edital. No entanto, não fomos consultados pela instituição na elaboração do edital, e seria antiético criticar algo no qual não participei ou me posicionar contra a gestão atual da instituição que já dirigir.

Entendo as preocupações, reclamações, denúncias e as legítimas cobranças tanto dos artistas quanto da defesa  da instituição. Cresci ouvindo ditados populares da minha mãe, como “É melhor prevenir do que remediar”, por isso é necessário estudar cuidadosamente as propostas dos editais antes de realizar a inscrição ou criticá-los, para poder ajusta-lo. “A pressa é inimiga da perfeição”. Por que ter tanta pressa em colocar “A carroça na frente dos bois”? Essas máximas aplicam-se à gestão pública e aos realizadores, onde o cuidado é crucial, pois o CPF do gestor está em jogo e a reputação do artista também.

Outros ditados populares também se aplicam a gestores e agentes culturais, como “Uma andorinha sozinha não faz verão”. Ou seja, uma pessoa isolada não pode mudar uma situação, carecendo da influência necessária. A expressão “A união faz a força” também tem um significado relevante para a cultura. Para avançarmos, todos devem estar no mesmo nível de entendimento, ouvindo e falando para alcançar o melhor para todos, não apenas para um grupo específico ou pessoa. Assim é construído as políticas públicas.

Embora um edital não seja a salvação da cultura, atualmente é o meio mais democrático de investimento para aqueles que realmente trabalham e propõem. A gestão precisa compreender as necessidades tanto dos criadores quanto da sociedade, e os fazedores tem a obrigação de propor o melhor de cada um, sempre focando na construção de todos. Como afirmou um certo presidente, “Nunca na história deste estado a cultura teve tantos recursos”, primeiro com a Lei Aldir Blanc, mas, ninguém sabe onde foram parar os produtos de  50 milhões de reais investidos em todo o estado. Há ainda mais de 400 projetos sem prestação de contas, e alguém precisa ser responsabilizado por isso. Agora, com  54.4 milhões de reais disponíveis, em um estado com um orçamento restrito para a área. É uma oportunidade para a gestão criar uma luz no fim do túnel e pavimentar um caminho para o futuro da cultura e da arte de Sergipe.

Um ditado popular apropriado para a situação é “Gato escaldado tem medo de água fria”. Já passamos por isso inúmeras vezes e vamos continuar no mesmo formato? Devemos ter cautela, buscando sempre o melhor para a cultura. “Nem tudo que reluz é ouro”. É crucial preocupar-se com o antes. O planejamento, a construção e o conceito desejado para as políticas públicas e a gestão da cultura. A instituição pública de fomenta a cultura, não é uma empresaria artística, nem de assistência social, pois para isso existem outras instituições.

Para concluir, vou ao encontro de outro ditado popular: “Santo de casa não faz milagre”. Tenho certeza que faz sim! Muitos milagres, possuímos talento, competência e criatividade, tanto no fazer quanto no gerir. Expresso minha esperança por uma solução rápida e harmoniosa para todos os envolvidos, pois é crucial que haja respeito e investimento em uma área tão fundamental para o crescimento humano e econômico de Sergipe: A cultura.

Mantenho a fé na boa vontade da atual gestão. Para aqueles que consideram a gestão cultural complexa, concluo com outro ditado popular: “O diabo não é tão feio quanto se pinta.” No meio das adversidades, confio que Deus escreve certo por linhas tortas. Continuo dedicado a essa causa, pois como diz minha mãe, “Quem canta seus males espanta”.