Olá, gente boa,

Cheguei de viagem e logo recebi uma notícia que encheu meu coração de alegria. A Secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg, me informou que o MinC convidou o nosso José Ronaldo de Menezes, o Mestre Zé Rolinha, para representar o Nordeste no Seminário Internacional de Culturas Tradicionais, Populares e Justiça Climática – Diálogos Globais, Conhecimentos Locais.

O evento acontece de 18 a 20 de setembro de 2025, na Vila de São Jorge (GO), dentro da programação do 25º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros. O seminário busca fortalecer a conexão entre culturas populares e justiça climática, reconhecendo que as comunidades tradicionais são guardiãs de saberes ancestrais e protagonistas na defesa da natureza e da vida. Também é um espaço preparatório para a COP 30, que será realizada em Belém (PA), em novembro de 2025.

Assisti de perto à trajetória desse grande homem e Mestre da Cultura Popular de Sergipe. Zé Rolinha foi o primeiro Mestre a ter uma cadeira no Conselho Estadual de Cultura. Tornou-se referência no Conselho Nacional e no Fórum Nacional de Culturas Populares. Representou o Brasil no Encontro de Mouros e Cristãos, em Alicante (Espanha), e foi um dos defensores da Lei Mestres dos Mestres, aprovada em Laranjeiras, que garante aos Mestres um pró-labore vitalício para seguirem transmitindo seus saberes e preservando nossas tradições.

Nascido em Laranjeiras, em 1963, começou ainda criança no folguedo dos Caboclinhos, influenciado por tios e grandes mestres como Seu Raminho, Severo, José Candeia e Nicanor. Desde cedo aprendeu, com muito esforço, a arte do folclore e da música popular. Hoje coordena três grupos fundamentais: Chegança Almirante Tamandaré, Lambe-Sujos (onde é Rei) e o Batalhão de São João.

Seu reconhecimento vai muito além de Sergipe: já foi homenageado pelo Conselho Estadual de Cultura, pelo Instituto Histórico e Geográfico, pela Assembleia Legislativa, por instituições culturais e, Recebeu a Medalha de Mérito Cultural Tobias Barreto, e sobretudo, pelo povo que o reverencia como Mestre.

E é justamente por isso que causa indignação ver tentativas de desmoralizar sua figura por parte da gestão municipal de Laranjeiras. Não se trata apenas de um qualquer, mas de um Mestre que ensina, preserva e projeta para o futuro a identidade cultural de sua gente. É um crime tentar como já fizeram proibir o Mestre de fazer o seu oficio. O Ministério Público e a Justiça não pode permitir. Ou estará sendo conivente com essas ações.

O valor de um Mestre não pode ser diminuído por interesses passageiros. O respeito à tradição e ao ofício é a maior virtude desse homem que dedica a vida ao folclore e à defesa dos brincantes. Zé sabe o que faz e o que diz. Tem a admiração dos jovens, o respeito dos mais velhos e a coragem de assumir lutas que muitas vezes nem são suas, mas de toda a comunidade cultural.

Aprendi muito com ele. E sigo na luta pela defesa da nossa cultura, que é permanente e não se curva a mandos de quem usa o poder sem preparo. A cultura não pertence a governos, pertence ao povo.

Como já disse o pesquisador Mesalas Ferreira Santos, ao falar do Lambe-Sujos:

“Até os dias de hoje, existe uma hierarquia de valores e etapas a cumprir, transmitidas historicamente através de concepções herdadas e expressas em formas simbólicas, retraduzidas e reapropriadas pelos próprios criadores. Quando Zé Rolinha se tornou Mestre, assumiu a coordenação do folguedo a pedido do Mestre Miroles Filho, pois já havia cumprido todas as etapas necessárias ao reconhecimento.”

E é assim que ele segue: enfrentando sol e chuva, buscando caminhos alternativos, mas sempre firme na defesa da nossa cultura. Enquanto a cidade dorme, Zé é o representante da cultura popular do nordeste a convite do órgão maior da cultura do país.

Zé Rolinha é força, é resistência, é a própria tradição de Laranjeiras e de Sergipe. O mundo já reconhece o seu valor. E nada será capaz de apagar o brilho desse Mestre. Nem você!