Olá gente boa,
Hoje cedo fui ao supermercado comprar a carne do churrasco do Dia das Mães. Aqui em casa somos cercados por mulheres fortes, mães de fibra, dessas que sustentam a vida no abraço, no olhar e na coragem. E como sempre, toda comemoração acontece no nosso cantinho, onde o amor se senta à mesa junto com a família.
Escolhi as carnes e fui caminhando para o caixa. No meio dos corredores, encontrei dois jovens. Um já rapaz, o outro ainda um menino de uns 14 anos, meio perdidos entre eletrodomésticos e prateleiras, olhando tudo com aquele jeito de quem queria fazer bonito, mas sem saber por onde começar.
De repente surgiu uma anja — uma das gerentes do supermercado — e começou a conversar com eles. Passei devagar e ouvi quando ela disse:
— Vou ajudar vocês a fazer uma homenagem bonita para a mãe de vocês.
Aquilo me prendeu a atenção. Hoje em dia, no meio de tanta pressa e tanto egoísmo espalhado pelo mundo, é raro ver meninos tão novos preocupados em transformar o dia da mãe em memória afetiva.
Pouco depois, ela apareceu com uma cesta simples e bonita. Tinha chocolates, biscoitos, um vinho e pequenos gestos embalados em carinho. E falou para os dois:
— Aqui está do tamanho do bolso de vocês… e do tamanho da generosidade que têm pela mãe de vocês. Ela vai ficar orgulhosa.
Não resisti.
Perguntei se a mãe deles gostava de vinho suave. O mais velho respondeu que sim. Fui até a adega, peguei uma garrafa melhor e troquei pela que estava na cesta. O menino me olhou assustado e disse:
— Esse eu não posso pagar…
E eu respondi:
— Mas eu posso. E faço isso de coração. Vocês merecem.
Desejei um feliz Dia das Mães aos dois e fui embora.
Saí dali pensando no quanto ando desacreditado da humanidade. A violência, o ódio, a arrogância e a falta de empatia muitas vezes fazem a gente achar que o mundo desaprendeu o amor. Mas aqueles dois meninos reacenderam em mim uma pequena luz de esperança.
Ainda existem jovens que sabem reconhecer o valor da mãe.
Da mulher.
Daquelas que muitas vezes criam os filhos sozinhas, lutando contra o mundo, contra o cansaço e contra a dureza da vida, mas sem deixar faltar colo, conselho, carinho e direção.
Sou filho de Susete.
Uma mulher que se reinventou para ser livre. Que não aceitou viver aprisionada pelos limites do machismo e do conservadorismo do seu tempo. Voltou a estudar, formou-se em duas faculdades e escolheu como missão cuidar das dores humanas. Tornou-se uma das assistentes sociais mais capacitadas do nosso estado, acolhendo mães, filhos, famílias inteiras, como quem entende que cuidar do outro também é um ato de amor.
Foi ela quem moldou a nossa família.
Eu e minhas três irmãs somos frutos da força dessa mulher determinada, inteligente e generosa. E talvez seja por isso que todas nós aprendemos cedo que amor não é discurso. Amor é presença.
E são tantas mães na minha vida…
Cassia, mãe das minhas filhas, fez da própria existência um exercício diário de amor sem medida. Um amor que passou para Érica, Tássia e Tati, e que agora floresce nos meus netos Hellen, Luan e Bold.
Sou um homem abençoado.
Sempre vivi cercado pelos braços, pelos conselhos e pela sensibilidade das mulheres. Bisavós, avós, mãe, tias, irmãs, filhas, netas, amigas, parceiras, amores e amadas. Mulheres que me ensinaram que fragilidade nunca foi sinônimo do feminino. Muito pelo contrário. Foram elas que me mostraram a verdadeira força do mundo.
Nós homens, muitas vezes tão frágeis em silêncio, seguimos existindo graças à capacidade infinita que as mulheres têm de amar, resistir, reconstruir e continuar.
Como diria Erasmo Carlos, dependemos da força da mulher.
Por isso hoje eu celebro.
Viva minha mãe Susete.
Viva Dona Cassia.
Viva Érica, mãe de Hellen.
Viva Tássia, mãe de Luan.
Viva Tati, mãe do Peti Body.
Viva a Ana, Sandra e Simone e suas crias
Viva Tia Avani
E viva todas as mães desse Brasil, que mesmo cansadas, seguem fazendo do amor a maior revolução possível.
