Olá, gente boa!

Vivemos tempos em que a cultura, mais do que nunca, precisa ser compreendida como um direito essencial — não um luxo, não um adorno, mas um motor que move a alma de um povo e transforma vidas de verdade. Quando falamos de política cultural, não falamos de festa para foto em calendário oficial. Falamos de sobrevivência, pertencimento e identidade. Cultura é o que nos faz ser quem somos. É o que guarda nossa memória e ilumina o caminho para o futuro.

Mas afinal, o que é política cultural?

Pra mim, é cuidar da alma do povo. É plantar arte no asfalto quente da cidade e nas estradas empoeiradas do sertão. É garantir que o tambor do candomblé toque sem medo, que o forró tenha vez, que o grafite grite nas paredes, que o teatro aconteça até debaixo de um cajueiro. Política cultural não é para discurso bonito, nem para preencher relatórios burocráticos. É para transformar. É para incluir. É para fazer crescer e desenvolver desde o palco até a plateia.

E cultura não se faz apenas com edital, verba ou cachê. Faz-se com escuta, respeito, compromisso e continuidade. Com a valorização dos mestres e o incentivo aos que estão começando. Com investimento que vira dignidade para quem cria e acesso para quem precisa. Política cultural de verdade transforma o invisível em potência, o simples em semente, o sonho em realidade.

A arte é necessária. O artista é um trabalhador de almas. E como todo trabalhador, precisa ser bem remunerado, ter espaço para mostrar seu ofício, condições de correr atrás e produzir. A arte salva, impulsiona e desenvolve. Mas é preciso lembrar: o artista e o fazedor de cultura também têm responsabilidades. Eles não precisam apenas do cachê — precisam de dignidade e caminhos para andar com as próprias pernas, criar com suas próprias mãos e saberes. Como já dizia Luiz Gonzaga: “quando não mata de vergonha, vicia o cidadão”.

Hoje, vivemos um momento inédito: depois de décadas de escassez, a cultura respira com as leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo, que juntas colocam cerca de R$ 3 bilhões no mercado cultural brasileiro. É dinheiro que nunca vimos circular nesse volume. Mas é aí que mora o risco: se não soubermos usar com critério, planejamento e visão de futuro, essa fonte pode secar. E o pior: ficaremos sem legado.

Não basta distribuir recurso — é preciso construir pontes, abrir caminhos, formar artistas, qualificar gestores e garantir continuidade. Se a cultura não se constituir como prioridade de Estado, voltaremos a sobreviver de migalhas.

É claro que o recurso federal é fundamental. Mas não basta. O Estado e os municípios precisam investir com seriedade, planejar com inteligência, acompanhar de perto e ouvir quem faz. É urgente criar um Observatório da Cultura para orientar decisões e medir resultados. É necessário fortalecer a formação, apoiar de forma contínua pontos e pontões de cultura, grupos organizados, coletivos e novos fazedores de arte. E já se faz necessária uma escola técnica de cultura, arte e economia criativa.

Precisamos construir nossa própria política cultural, com a nossa cara e a nossa voz. Alinhada à política nacional, sim, mas com os pés fincados na nossa realidade e nos nossos sonhos. Sergipe deu passos importantes com os editais da Funcap, Funcaju e prêmios que já mostram frutos — como o de agentes territoriais, que está levando cultura ao interior e conectando quem produz com quem precisa.

Temos talento, história e potencial de sobra. O que falta é decisão política, estratégia e gestão. Cultura precisa ser tratada com o mesmo peso dado à saúde, à educação, à segurança pública — porque ela também salva, também educa, também acolhe e também transforma.

Hoje, mais do que desigualdade de oportunidades, vivemos desigualdade de gestão. A cultura está viva, pulsando, pronta para florescer. Só falta quem acredite nela de verdade, quem invista de forma consistente, quem coloque a cultura no centro das prioridades públicas.

A cultura não quer favor. Quer respeito. Quer estrutura. Quer continuidade. Quer ser política pública de verdade. Quer ser protagonista do desenvolvimento.

Refletir sobre a relação entre cultura e desenvolvimento é entender que não existe futuro sem identidade. O desenvolvimento que não se apoia na cultura é apenas construção vazia; a cultura que não encontra apoio em políticas sólidas corre o risco de se apagar. O equilíbrio está em reconhecer que ambos são partes inseparáveis de um mesmo processo.

O governador Fábio Mitidieri enxerga essa integração de forma clara. O Projeto Viva-se, que vai investir mais de 180 milhões de reais em novos equipamentos, modelos de gestão e governança, traduz essa visão: unir cultura, turismo, trabalho, meio ambiente e desenvolvimento econômico e humano em um mesmo horizonte de progresso.

Desenvolver Sergipe, portanto, é criar empregos, atrair turistas, proteger o meio ambiente, mas é também garantir que a música, a dança, o teatro, a literatura e os saberes populares estejam presentes em cada etapa desse crescimento. É dar sentido humano e identidade própria ao desenvolvimento.

Porque, afinal, a cultura nos move: é raiz e asa, é chão que firma e horizonte que abre. É o que dá cor ao progresso e sentido ao trabalho. Cultura não é gasto: é investimento na alma e no desenvolvimento de um povo.