Olá gente boa,
Esta semana, enquanto saboreava um café em um dos shoppings da cidade, encontrei alguns amigos do setor audiovisual. Estavam em uma mesa próxima, e como fazia um tempo desde a última vez que nos víamos, decidi cumprimentá-los. Acabei sendo convidado a me juntar a eles, pois queriam a opinião não apenas de um amigo, mas de um gestor. No entanto, tenho sido cauteloso em participar desse tipo de conversa, especialmente no nosso estado, onde qualquer opinião pode gerar controvérsias. Algumas pessoas interpretam críticas às ideias como críticas pessoais, enquanto outras pensam que é apenas ciúmes. Às vezes, é melhor evitar problemas desnecessários, pois a idade não permite mais.
Enquanto estava lá, ouvi as reclamações sobre o edital Paulo Gustavo. Eles compartilharam vários problemas enfrentados pelos participantes, desde questões na inscrição até a avaliação, além de outras reclamações. Uma delas me chamou a atenção: como é possível fazer um longa-metragem com um milhão de reais? Respondi que não sabia, pois a quantidade pode ser tanto muito quanto pouco, dependendo do contexto. No entanto, todos foram unânimes em afirmar que não era suficiente. Um deles destacou que um longa-metragem de qualidade no Brasil custa entre 5 e 7 milhões, enquanto outro afirmou que um bom filme requer pelo menos 15 milhões. Outro completou dizendo que apenas um bom roteiro pode custar de 30.000 a 100 mil, e um bom diretor cobra de 15 a 50 mil, entre outros custos. Eles até mencionaram que a própria instituição que criou o edital sabia que não seria possível realizar um projeto de qualidade com esse valor.
Essas informações me deixaram impressionado, e enquanto eles falavam, eu ponderava sobre como seria possível produzir um filme de qualidade de mercado nacional e internacional com apenas um milhão. Decidi fazer uma pergunta: Sendo assim, não tivemos inscrição no edital para fazer um longa-metragem? Surpreendentemente, eles revelaram que sim, muitos se inscreveram, inclusive eu mesmo me inscrevi, disse um deles. E que dois projetos foram premiados. Fiquei desorientado e não pude resistir a questionar: “Se vocês acabaram de me dizer que um milhão não é suficiente e que a própria instituição sabe disso, por que se inscreveram? Vocês pretendem fazer um longa-metragem e, como o dinheiro não é o bastante, entregarão um curta ou nada? Estão arriscando suas reputações, aspirações e sonhos em uma política pública desastrosa. Sem assim a culpa é de todos.” O silêncio se instalou, bebemos nosso café e cada um seguiu seu caminho.
Uma política pública deveria ser uma ação adotada para resolver problemas na esfera pública da sociedade, não para criar mais complicações ou desviar o foco dos desejos e necessidades da população. Parece que a eficiência não é levada a sério neste país. Propor uma política pública sabendo de antemão que não trará resultados é um equívoco. Enquanto a sociedade aceita e participa, usando o ditado “Quem não tem cão caça com gato” (caça solitariamente, astutamente, sorrateiramente, escondendo-se como faz um felino), todos acabam sendo enganados e o dinheiro público é desperdiçado. Não seria mais fácil fazer o que é certo, o que traria resultados para todos?
Precisamos ter uma cultura forte com investimentos, temos a oportunidade de colocar Sergipe no mercado nacional do Áudio Visual, temos qualidade, capacidade e talento. A cultura merece mais!
