Olá, gente boa!
É bom demais falar da criança que carrego comigo, aquela que nunca escondi e que me acompanha por toda a vida. Muitas vezes me sinto criança — às vezes por necessidade, tentando ser ingênuo o bastante para não enxergar a maldade ou as mazelas do mundo; outras vezes para proteger meu coração do descaso com aquilo em que acredito. Mas há momentos em que percebo tudo, me emburro, faço birra, reclamo alto, digo o que penso. Só não faço ninguém chorar, porque minha mãe sempre dizia: “Engula o choro, assim você não perde a guerra.”
Sempre fui e continuo sendo criança, pois acredito que nascemos puros e bons, e que é a vida que vai moldando nosso jeito. Fui criança quando corríamos na vizinhança: de bola, de manja, de esconde-esconde, de bicicleta, pulando muros para pegar mangas e carambolas. Cada cantinho do bairro tinha uma história; cada vizinho era um personagem da nossa pequena aventura diária. A inocência e a alegria daqueles dias ainda vivem dentro de mim, como um rio que não seca.
A amizade e as brincadeiras se estendiam para além da rua. Brincar e brigar com minhas irmãs — Aninha, Sandra e Simone — tacar mamonas e receber de volta, correr pelos quintais, jogar bola no campinho de Seu José do Graccho com Neto, Milsinho, Lula, Mané, Edilson, Izael, Agnaldo, Ari e Zé. Ajudar a criar peixes ornamentais com Lula Ribeiro, jogar handebol com Augusto Tainha… pequenas experiências que marcaram minha vida e me ensinaram sobre amizade, alegria e coragem.
Minha infância ganhou nova dimensão quando vieram minhas filhas, três crianças que me fizeram redescobrir meu próprio passado: Erica, Tatiana e Tássia. Com elas, voltei a me jogar no chão, a me sujar de tinta e areia, a rir até doer a barriga, a me maravilhar com cada descoberta. Aprendi novamente a paciência, a empatia e o amor sem medida.
Cada uma delas tinha um mundo próprio: Erica, a mais velha, adorava bonecas, livros e cuidar das dores alheias; hoje é acupunturista, cuidando do bem-estar de outros com o mesmo carinho que dedicava às brincadeiras de infância. Tatiana, que sonhava em ser baterista e skatista, virou bailarina, professora e gestora de negócios, mas manteve aquela vontade de sempre ajudar e fazer o bem. E Tássia, a caçula, sempre quis ser o que desse na telha; hoje é nutricionista, gastrônoma e grande empreendedora, mas ainda conserva o espírito livre, curioso e ousado da menina que foi.
Depois vieram meus netos, Hellen e Luan, trazendo uma nova luz à criança que habita em mim. Hellen, a menina mais linda do mundo, e Luan, o maior jogador de futebol que a história moderna poderá conhecer, me lembram todos os dias que a vida precisa ser vivida com alegria, brincadeira e encantamento. Eles me alimentam, me fazem rir, me ensinam a olhar o mundo com frescor e curiosidade.
Minha criança interior é birrenta, teimosa, travessa e cheia de encrenca, mas também é bondosa, carinhosa e generosa. Ela me mantém vivo, me dá coragem e me lembra do que realmente importa: brincar, sonhar, amar e acreditar. E é por ela que insisto, todos os dias, em preservar a infância em cada gesto, em cada olhar, em cada abraço.
Não podemos tirar de ninguém a oportunidade de ser criança. Ela vive em cada riso, em cada invenção, em cada coração que ainda ousa sonhar.
Viva o Dia da Criança! Mas que sejamos capazes de celebrá-lo todos os dias, mantendo a inocência, a alegria e o amor sempre vivos dentro de nós.
