Olá, gente boa!

Não consigo entender como tantos sergipanos idolatram artistas e personalidades de outros estados e países — e, muitas vezes, nem se preocupam em saber se há cultura viva aqui mesmo, nesse nosso pequeno e grandioso estado. Pois eu digo com toda certeza: Sergipe é cheio de talento! Temos artistas, intelectuais e figuras notáveis de enorme valor, muitos deles respeitados no Brasil e no mundo. Só para citar alguns nomes que deveriam estar na ponta da língua de qualquer sergipano que se preze: Tobias Barreto, Sílvio Romero, Gilberto Amado, Duda Lisboa, Victória Borges, J. Inácio, Diego Costa, Beatriz Nascimento, José de Dome, Mestrinho, Jenner Augusto, Santos Souza, Cândido Aragonez de Faria, Luiz Americano, Zé da Velha, João Melo, João Ventura, Horácio Hora, Calcinha Preta, José Augusto, Amorosa, José Calazans, Beto Caju, Judite Melo, Véio (Cícero Alves dos Santos), Elias Santos, Leonardo Alencar, The Bagius, Natanzinho Lima, Carlos Britto, Joel Silveira… e muitos outros que já celebrei e escrevi por aqui.

Mas hoje quero falar de um outro lado dessa paixão: os artistas que admiro e que me acompanham pelas paredes e estantes de casa. A cada nova obra que chega, o espaço parece encolher. É como se a arte fosse tomando conta do ambiente — e de mim.

Minha primeira aquisição foi ainda nos anos 80, uma obra de Adauto Machado, artista múltiplo: pintor, escritor, desenhista publicitário e professor de artes, nascido em 18 de junho de 1950, em Nossa Senhora das Dores/SE. Depois veio Caã, com suas paisagens noturnas e figuras femininas que revelam a alma do interior nordestino. Caã é filho do grande J. Inácio, autodidata expressionista nascido em Arauá, que deu cor e força à identidade visual sergipana. Também guardo com carinho obras de Silveira, natural de Propriá, e de José Fernandes, lagartense nascido em 1959, artista, professor e produtor cultural. E como não citar a força de Hortência Barreto, nascida em Dores, e de Dionea Patterson, a grande dama dos girassóis?

Ao longo dos anos fui comprando e ganhando obras de muitos outros artistas sergipanos (ou adotados por nosso “sergipinho”, como diria João Melo). Pintores, escultores, fotógrafos, artesãos — todos com um brilho único. E eu sigo firme nesse vício do bem: cercar-me de arte viva, feita por mãos daqui.

Sou um admirador declarado — e assumo: sou tarado por talento! Entre tantos nomes, tenho especial carinho pelas obras de Joseval Soares Silva Feitosa, o Jo’k, artista sergipano que traduz o Nordeste em cores vibrantes: fogueiras, festas populares, cenas do cotidiano. Conheci Jo’k através de Mário Brito e, desde então, fizemos muita coisa juntos — da participação no Arraiá do Povo à exposição na Escola do Legislativo, no Tribunal de Contas, até uma linda pintura de Mestrinho, que virou presente para o próprio músico, em homenagem ao seu talento.

Tenho também obras de Titiliano, outro filho de Propriá, cidade que já nos deu artistas como Florival Santos. Guardo com orgulho as criações de Ailton Lima, estanciano como minha mãe, artista e professor com mestrado em Arte/Educação nos Estados Unidos. De Fábio Sampaio, urbano, contemporâneo, com uma poética que transita entre pertencimento e deslocamento. E do meu amigo Antônio da Cruz, maruinense de altíssima estirpe, mago dos metais, que transforma alumínio, cobre e aço em esculturas que gritam liberdade.

Às vezes preciso me controlar. É que a vontade de adquirir novas obras é grande — porque nelas há vida, pensamento, sonho, realização. E porque sei que cada obra carrega o suor e o brilho criativo de quem as faz. Dentro do meu orçamento (e às vezes fora dele!), tento sempre levar um pedaço dessa beleza pra casa — ou oferecer de presente aos amigos, como quem espalha sementes da nossa identidade.

E tem mais: J. Alves, Adriana Dantas, Willy, Bebeto, Beto Pesão, Djenal, Rita Ribeiro, Paulo Vitor, Cal, Camilo, Demar, Gilson, Eduardo Fabião, Marcelo Kenerbeis, Leres Andrade, Fernandinho Montalvão meu querido amigo… e fotografias preciosas de Joel Luís. Um verdadeiro acervo de amor à arte sergipana.

É assim que me sinto bem: cercado pela minha gente, pela minha cultura, pela minha arte. E não vai demorar para que as paredes da minha casa ganhem ainda os grafites de Korea, Fake e Dext, completando essa aquarela viva da sergipanidade.

Sejamos honestos: Sergipe pulsa cultura. Só não vê quem não quer.