Olá gente boa,

Tenho pensado muito sobre o que vivemos na gestão cultural. Entre o saber e o fazer existe um caminho difícil, cheio de dúvidas, mas também de esperança.

A arte é esse território onde o conhecimento precisa caminhar de mãos dadas com a prática, onde a teoria precisa escutar o chão, e onde a gestão só se justifica quando serve para fortalecer o fazer cultural do povo.

Vivemos um tempo em que o Brasil reencontra a cultura como política de Estado. As novas leis, editais, prêmios e programas — Aldir Blanc, Paulo Gustavo, Cultura Viva, Economia Criativa — abriram horizontes que antes pareciam distantes.

Mas junto com esses avanços vem o maior desafio: fazer com que o artista entenda o gestor e o gestor compreenda o artista.

Sem esse diálogo, sem essa ponte, nenhuma política pública se sustenta.

A gestão tem o dever de executar políticas construídas com todos — de forma coletiva, democrática e transparente.

E os fazedores de cultura têm o compromisso de compreender que a arte, além de expressão e sentimento, é também sobrevivência — cultural, econômica e social.

Não há futuro possível sem responsabilidade e sem entendimento mútuo.

Em Sergipe, estamos vivendo um tempo bonito de reconstrução e de fé.
A Rede Sergipe de Pontos de Cultura está sendo retomada com trabalho, escuta e dedicação. A metodologia da Cultura Viva, inspirada na força comunitária, mostra que é possível fazer política pública com afeto e com resultados concretos.

E o fruto desse esforço já aparece: ainda neste ano chegaremos a mais de 120 Pontos de Cultura em todo o Estado, resultado do trabalho incansável da equipe da Fundação Aperipê de Cultura e Arte (Funcap), que vem articulando, capacitando e reconhecendo grupos, mestres e coletivos em todos os territórios culturais de Sergipe.

Além disso, teremos em dezembro a realização da Teia Estadual de Pontos de Cultura, um grande encontro de partilha, escuta e celebração da Cultura Viva sergipana.

E com muito orgulho, Sergipe já confirmou a participação dos seus delegados na Teia Nacional, que acontecerá no Espírito Santo, reafirmando o nosso compromisso com a rede nacional e com a política pública que nasceu da base, do chão, da comunidade.

Estamos costurando novamente a Teia Sergipana da Cultura Viva, reativando os Fóruns, fortalecendo as bases e reconstruindo a confiança.

Essa terceira metodologia, ainda em amadurecimento, é a do fazer compartilhado, do aprendizado contínuo e da política pública como instrumento de cidadania.

Cada Ponto de Cultura é um pedaço do nosso mapa simbólico. É onde a memória se encontra com o futuro.Quando a arte e a gestão se olham nos olhos, o resultado é uma cultura viva, pulsante, com voz e com propósito.

A arte, entre o saber e o fazer, é o fio que costura o que somos.
E quando o fio é bem tecido — com fé, diálogo e trabalho coletivo — ele vira rede.

Uma rede chamada Cultura Viva, que hoje se expande, se fortalece e nos lembra todos os dias: sem ela, o saber não aprende e o fazer se perde.