Olá, gente boa,

Quando os sentimentos se misturam, a união é duradoura — dizia minha bisavó Noemi Brandão, falando do seu casamento com Irineu Ferreira da Silva, meu bisavô, que infelizmente não cheguei a conhecer. Irmão do General Calazans, ele era descrito por minha avó América como um homem bom e amoroso, completamente apaixonado por Noemi.

Cresci ouvindo essas histórias e conselhos, e procurei fazer minha parte. Casei muito jovem, aos 21 anos, com a minha querida Rita de Cássia — a minha Cássia — namorada desde os meus 15 anos, já conhecida e querida por toda a família. Dona Noemi gostava muito de conversar com ela. Um dia, emocionada, presenteou-a com uma jarra de cristal e disse: “É para quando você tiver sua casa com meu neto.” Visionária. E não é que foi mesmo com aquela namoradinha que me casei no dia 27 de junho de 1981?

Hoje celebramos 44 anos de casamento. Uma vida construída aos trancos e barrancos, como tantas vidas honestas e apaixonadas neste mundo. Construímos juntos nossa história com três lindas filhas — Erica, Tatiana e Tássia — mulheres fortes e determinadas. E hoje temos também dois netos maravilhosos: Hellen e Luan, que alegram nossos dias e dão sentido à travessia.

Na juventude, eu era um rapaz de classe média alta, estudante, cheio de sonhos. Mas a vida logo me mostrou que, como homem casado e artista, seria preciso matar um leão por dia para sustentar nossa família com dignidade. Músico, cantor, compositor e homem das artes e da cultura, enfrentei todas as batalhas com Cássia ao meu lado. Parceira fiel. Guerreira silenciosa.

Nesses 44 anos de casamento — e mais os de namoro — misturamos todos os sentimentos possíveis: curiosidade, encantamento, paixão, tesão, amor, amizade, respeito e confiança. Continuamos juntos, cada um com seus defeitos e virtudes, cuidando um do outro. Vivendo momentos felizes e enfrentando os ruídos da vida, como todo casal de verdade. Mas sempre juntos.

Como disse Vinicius de Moraes: “Que não seja imortal, posto que é chama,
Mas que seja infinito enquanto dure.”

E assim, compus essa canção:

“Forte é,

Mulher guerreira,

Linda flor em seu esplendor;

Felina que seduz o brilho do sol;

A lua que induz amor e paixão;

Gueixa em lençóis de seda e tesão;

Cássia, minha canção.”

Que venham mais 44 anos. E ao seu lado, sempre estarei.
Parabéns, meu amor. Muito obrigado por todos os momentos vividos, pelos silêncios compartilhados, pelos sonhos cultivados, pela vida que construímos.