Olá, gente boa,

Quando falamos em parcerias que marcaram a música brasileira, lembramos de tantas duplas e encontros que se transformaram em história: Antônio Carlos e Jocafi, Vinicius e Toquinho, Chitãozinho e Xororó, Rita Lee e Roberto de Carvalho, Chico Buarque e Edu Lobo, Tonico e Tinoco, Leno e Lilian, Caetano e Gil, Trio Ternura, Trio Irakitan… nomes que ajudaram a moldar a trilha sonora de um país.

Aqui no nosso Sergipinho também tivemos encontros inesquecíveis: Trio Atalaia, As Moendas, Gravatinha e Maria Olívia, Virgínia e Welison, Sena e Sergival, Nery e Valdefrê, Carvalhinho e Robério, Cataluzes, Irmão e Tonho Baixinho, Zito e Zeti… Hoje, mesmo com as parcerias sendo mais raras, ainda temos nomes que resistem e brilham: o Duo Vieira com Ricardo e Rebeca Vieira, a longeva e respeitada parceria de Chiko Queiroga e Antônio Rogério, e, sem dúvidas, uma das mais vitoriosas do Brasil: Daniel Diau e Silvana Aquino.

Daniel eu vi crescer. Conheço desde os tempos em que trabalhava numa empresa de serigrafia, criando faixas e cartazes. Com apenas 18 anos, gravou o primeiro disco com o Grupo Xadrez, ainda se apresentando em programas locais de TV. Quando o grupo acabou, seguiu para os bares de Aracaju, cantando sertanejo, inspirado por Zezé di Camargo e Luciano. Naquela época fez dupla com Wilson Segal e já chamava atenção por sua voz poderosa – um tenor lírico capaz de transitar entre graves profundos e agudos intensos, com técnica e emoção.

Não demorou para se tornar cobiçado por diversas bandas. Passou pela Panela de Barro, ao lado de Paulinha Abelha, uma produção do cantor Cid Natureza, e em 1998 a convite do Gilton Andrade entrou para a Calcinha Preta, onde se tornaria um dos grandes ícones do forró eletrônico romântico do País.

A sua voz se confundiu com os maiores sucessos da banda. Entre idas e vindas, experimentou projetos como Filé do Brasil e Cobertor, gravou louvores após sua conversão ao Evangelho e integrou o grupo Gigantes do Brasil. Em 2018, após dez anos afastado, retornou ao Calcinha Preta, retomando a parceria com Silvana e, mesmo com a perda da amiga Paulinha, segue até hoje como referência nacional.

Silvana Aquino conheci ainda adolescente, com 16 anos, na banda Estação da Luz. Desde cedo já mostrava uma voz forte, afinada e cheia de personalidade. Cresceu rápido no cenário musical, passando pelo Raio da Silibrina e criando a banda Galope, que administrou por quatro anos. Em 2000, foi convidada a integrar o Calcinha Preta, coincidindo com o auge da banda em todo o Brasil.

Silvana é uma soprano lírica rara, dona de carisma e simpatia que a tornam única. Sua interpretação em “Você Não Vale Nada”, de Dorgival Dantas, em dueto com Bell Oliver, levou a banda a conquistar os principais prêmios de música do país, incluindo o Globo de Ouro, Prêmio Extra e Troféu Imprensa, consolidando-a como uma das maiores cantoras de forró do Brasil.

Entre 2016 e 2017, fez novas experiências no projeto Gigantes do Brasil e na dupla com sua amiga Paulinha, mas em 2018 retornou à Calcinha Preta, onde permanece até hoje ao lado de Daniel.

A parceria Daniel e Silva fez os sucessos de inúmeras canções como  Machete nos Jornais, Um Novo Amor, Magica, Hoje à noite, Por Amor, Só um amor, Novo Amor, Dois Amores duas Paixões, Vem me deixa Louco, Se Quiser é Assim entre outros.

Daniel Diau, menino que chegou de Mossoró aos 8 anos para ser sergipano de coração, alma e título. Silvana Aquino, aracajuana nascida ao som das araras e dos cajueiros. Dois artistas que, com muito talento e resistência, construíram carreiras de sucesso, superaram desafios e nunca desistiram de seus sonhos. Sozinhos ou juntos, escreveram capítulos importantes da música popular brasileira.

Hoje, fica aqui meu agradecimento e minha homenagem a esses dois ícones da música sergipana que projetaram nosso estado para todo o Brasil. Daniel e Silvana, vocês são orgulho da nossa gente e inspiração para todos que acreditam que a música pode transformar vidas.