Olá gente boa,

Mudei-me para a Rua Zaqueu Brandão em 1968, na esquina com a Rua Ribeirópolis, que ainda era de chão batido e areia. Já havia alguns vizinhos queridos por lá. Na Rua Ribeirópolis, tínhamos Dona Geovanete e Seu Zeca, Dona Zerinha e Seu Renato. Logo chegaram os amigos e irmãos da família de Dona Lucy e Milson Barreto. Pela Zaqueu Brandão, viviam os dois Aluízios, cada um com suas grandes famílias: um, baiano de Jeremoabo, e o outro, Hermínio. Em frente à minha casa, ficava o Colégio Graccho Cardoso e a linda família de Tia Lália e Seu José. Era uma vizinhança acolhedora, solidária e sempre disposta a ajudar, marcada pelo respeito mútuo.

 

José Silva de Souza, pai de Abelardo Neto, Ana, Lívia e Ramon (a quem ele carinhosamente chamava de “meu ponta de rama”), era um homem reservado e sisudo à primeira vista. Mas bastava surgir uma bola para que ele se transformasse: brincava e ria como uma criança, jogando no campinho ao lado de sua casa. Ele mesmo chegou a construir uma quadra no terreno para o colégio. Aos sábados à tarde, o campinho e a quadra se tornavam o nosso refúgio, sempre com a presença constante de Seu José jogando com a gente. Torcedor fervoroso do Vasco da Gama, ele adorava tirar graça com todos. Foi assim que descobrimos que aquele semblante sério era apenas uma fachada para manter a ordem entre os alunos de Tia Lália, uma mulher extraordinária que era sua companheira de vida.

 

Hoje, me despedi de Seu José, que nos deixou aos 93 anos. Pai do meu amigo-irmão Neto e marido de Tia Lália, ele agora descansa com o mestre maior. No entanto, sua história e seu legado continuam vivos em todos nós que tivemos o privilégio de conviver com ele.

Vá em paz, amigo querido.